Mara Maravilha solta o verbo em entrevista: 'Não sou homofóbica'
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Enquanto tirava fotos para o novo CD e DVD – que relembram os 30 anos de carreira e serão lançados até o final deste ano – Mara Maravilha (46) bateu um papo franco com a Conta Mais. Polêmica e convicta de suas afirmações, ela não tem medo de dizer o que pensa. Arrepende-se de ter posado nua para a revista Playboy (em 1990), diz que sofreu com as declarações sobre a ‘cura gay’ e que, mesmo se convidada, não participaria de A Fazenda, como foi especulado. “Não me vejo naquele contexto”.Confira a entrevista exclusiva!
Conta Mais: Podemos dizer que a vida da Mara Maravilha se divide entre antes e depois de Cristo?
Mara Maravilha: Sim, porque eu nasci de novo, sou uma nova criatura. Não foi simplesmente uma mudança de religião. Hoje entendo porque Deus permitiu que meu nome fosse Mara Maravilha, porque Ele é mesmo uma maravilhana minha vida. Se tirar o Senhor Jesus não vai ter porque ser Maravilha. Agora tudo faz sentido. Sabe?
Conta Mais: Antes de virar evangélica, como você se enxergava?
MM: Gosto de dizer que eu sou cristã. Não sei quanto tempo tenho de vida, mas dentro de mim mora uma convicção de que tenho algo melhor após essa vida, que é a salvação. O que mudou é essa certeza de que fiz a escolha certa, mesmo perdendo tudo aqui na terra: a juventude, a fama, o dinheiro. A gente perde a vida!
Conta Mais: A religião te fez perder a vida?
MM: Não. Viver é Cristo, e para quem está em Cristo até morrer é lucro. As pessoas às vezes pensam: ‘Ah, a Mara antes aparecia mais, tinha mais glamour, mais fama’. Mas o que interessa é que tenho vida dentro de mim e para mim. Em nenhum momento estou dizendo que a fama e o sucesso são ruins, mas talvez eu tivesse que aprender a lidar com tudo aquilo.
Conta Mais: Quando ganhou mais dinheiro: antes ou depois de Cristo?
MM: Eu ganhei dinheiro e perdi. É algo implacável. Existe um demônio que quer reger o poder do dinheiro, o Mamon. Já fui escrava dele, manipulada, ludibriada, sofri nas garras desse espírito. Mas tenho aprendido a não ser dominada. Não vou te dizer, proporcionalmente, se antes eu ganhava mais ou menos. Mas meu coração já desapegou de muitas coisas.
Conta Mais: Você era muito ambiciosa?
MM: Eu tinha mais ganância. E hoje também existe muito essa ideia de ‘converte que você vai ganhar muito dinheiro’. E não é por aí. Não adianta eu ter dinheiro e não ter saúde. Estava perdendo a minha de tanto que trabalhava. Agora sou uma pessoa que dorme bem, bebe água, faz atividade física, tem boa alimentação. Não como carne há um ano e nenhum derivado de animal (somente ovos). Não encontrava um equilíbrio nessa área. Vivia engordando, dependia de moderador de apetite, dietas. Ficava sempre aquela cobrança: ‘você precisa ficar bonita na foto’.
Conta Mais: O que acha dos religiosos que se lançam em carreira artística?
MM: Sou muito mais os cantores gospel e os padres pops, do que os funkeiros. Eles estão passando uma mensagem boa e sadia para o povo. Não têm nenhum problema em se tornarem artistas.
Conta Mais: Qual a sua opinião sobre a legalização do aborto? É verdade que você já recorreu a um?MM: Ah, isso eu não quero nem comentar. O justo não se justifica. Sou contra!
Conta Mais: Então, é mentira?
MM: É uma mentira, como muitas outras. Não gostaria nem de tocar nesse assunto, se possível. Pode ser?
Conta Mais: E sua declaração sobre a Daniela Mercury, de que ela seria ingrata?
MM: A Daniela tem coisas que eu não admiro.
Conta Mais: O que pensa sobre a nova escolha sexual da Dani?
MM: É uma liberdade dela, mas também não admiro. Acho que a Daniela explora isso para ganhar dinheiro... Pronto!
Conta Mais: Então, a escolha da cantora baiana é para ganhar dinheiro?
MM: Não que seja, mas ela explora, né? Tira proveito disso, sim!
Conta Mais: Quando você se posicionou sobre a homossexualidade, foi muito criticada. Suas declarações te prejudicaram muito?
MM: Não estou preocupada em agradar ao outro. Já fiz a minha escolha, sei quem eu quero agradar: a Deus. Se não estou agradando com esse meu posicionamento, paciência, mas te garanto que muita gente pensa igual a mim. Não estou julgando, apenas dando a minha opinião de que o homem nasceu para a mulher e a mulher para o homem.
Conta Mais: Mas Mara, Deus não ensina a amar ao próximo?
MM: E quem falou que eu não amo? O meu assessor é homossexual, e eu o amo muito. Amo as pessoas... Mas não amo tudo o que elas fazem. Parece que eu sou aquela homofóbica, né? E não sou mesmo! Tenho uma opinião e não vou mudá-la, entendeu?
Conta Mais: Mas é contra ou a favor?
MM: Não vou achar que é bonito pessoas se beijando em público, tanto heterossexual como homossexual. Vi que a Joelma foi criticada pelos artistas no Twitter... Achei ridículo, assim como essa história de ficarem postando fotos com bananas. Eu não sou macaca, para mim, viemos de Adão e Eva. Temos referências anti-racismo como Martin Luther King (1929-1968) e, agora no Brasil a referência é uma banana? É um modismo para vender camiseta, tirar proveito...
Conta Mais: Em sua visão, a homossexualidade é uma doença?
MM: Não. Para mim é um direito de escolha.
Conta Mais: Mas precisa de cura?
MM: Se a pessoa achar que aquilo faz mal para ela, tem que buscar uma cura. É um sentimento que tem que partir da própria pessoa e não ser externo. Convivo com qualquer tipo de gente e, desde que também me respeite, eu respeito... Não concordo, mas respeito.
Atualmente, Mara é cantora gospel
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Conta Mais: E se, por acaso, você tivesse um filho gay?
MM: Eu iria amar. Por exemplo, o Ricardo, meu assessor, é gay, e para mim ele é um irmão. Mas como sou a Mara Maravilha, a imprensa gosta de polemizar... Não quer dizer que não tenha uma opinião. Quando existiu aquela polêmica sofri muito. Fui até ameaçada. Alguns homossexuais ficaram ofendidos comigo. Muitas pessoas, no entanto, me interpretaram da forma certa. Pensam como eu.
Conta Mais: Você pensa em se candidatar a algum cargo político?
MM: Sou filiada ao PRB, já fui convidada, mas não pretendo nunca ser candidata. E precisamos de políticos justos, independentemente da religião. 
Conta Mais: Político é tudo corrupto?
MM: Olha só, tem político justo e corrupto.Tem católico safado, mas tem evangélico safado também.
Conta Mais: É verdade que você vai participar de A Fazenda?
MM: Imagine... Nem fui convidada!
Conta Mais: Fiquei sabendo que você foi convidada desde a primeira edição, mas até agora não aceitou...
MM: Sou cogitada pelos fofoqueiros de plantão, mas estou falando para você que não. Sou uma mulher de Deus, olhando os seus olhos e dizendo que não estou mentindo para você. Se minha opinião mudar amanhã, vou me lembrar e te ligar em primeira mão.
Conta Mais: Mas se convidassem...
MM: Eles não me convidam porque não é conveniente que eu esteja nesses programas. Não seria uma boa jogadora, não beberia, não fumaria, não falaria palavrão e evitaria ao máximo me expor. Já fui muito exposta, tive uma vida muito desregrada, mas hoje estou em outra posição. Não me vejo naquele contexto.
Conta Mais: Quais lembranças você tem daquele tempo ‘antes de Cristo’?
MM: Foi muito bom, mas já passou! Convivia com a Xuxa, até tomei banho com ela, que é maravilhosa, né? Passava mel, açúcar e mamão no corpo, e dizia para eu passar no meu também, para hidratar (risos). Gosto da minha história e de quando as pessoas olham para mim e falam que se lembram da infância. Não estar muito exposta tem esse lado bom: o de ver a reação das pessoas comigo.
Conta Mais: E qual é a sua relação com as famosas redes sociais?
MM: Ah, nós temos todas: Facebook, Twitter...No Instagram eu copio muitas coisas que vejo. Recentemente teve aquela polêmica com o Beijinho no Ombro, da Valesca (Popozuda, 35), que eu a firmei que era mico.
Conta Mais: E Beijinho no Ombro é mesmo um mico pra você?
MM: Acho que qualquer comportamento de soberba não é legal. Tipo, mandar um beijinho no ombro, não estou nem aí. Particularmente, não gosto da música, não querendo ofender o pessoal da Valesca Popozuda, mas é um direito meu.
Conta Mais: Você gosta de funk?
MM: O ritmo é gostoso, mas as letras são promíscuas, soberbas, fazem apologia às drogas... Isso eu não gosto!
Na época em que era apresentadora infantil no SBT
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